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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Wrong - 2012


À primeira vista, este filme parece sem sentido, e com certeza é indigesto para aquelas pessoas que estão acostumadas a assistir filmes de bilheteria de história fácil (aliás, sem história, porque a parte interessante fica somente por conta dos efeitos visuais).

Eu assisti, e achei bastante interessante, e gostaria de compartilhar aqui alguns detalhes que eu notei ou pontos de vista, claro que não foram todos porque o filme é bem mais complexo que isso e necessita ser assistido muitas vezes para se arrancar o máximo de detalhes. Só relembrando que isso é apenas opinião minha, e talvez não condiza com o seu ponto de vista.
Capa
Capa
Por trás da complexidade do filme, existe uma história bem simples: O cara (Dolph Springer) perde seu cachorro e quer encontrá-lo.

Eu acredito que todos os detalhes do filme levem à alguma críticam ou observação da nossa sociedade, por exemplo, no começo do filme, Dolph vai falar com seu vizinho sobre a perda de seu cachorro, mas o vizinho não dá muita idéia para isso porque está se mudando, cansado da própria vida, e sai com apenas duas malas sem destino. Acontece que o filme termina, e esse cara não chega a lugar nenhum, ele ignora todas as placas pelo caminho e acaba se perdendo no deserto. Isso me fez pensar muito em alguns amigos que tenho, que ja conheço à bastante tempo, e resolveram mudar de vida, mas tambem "se perderam no deserto", ficam rodando e rodando sem sair do lugar.

Outro fato interessante sobre o vizinho de Dolph, é que ele corre todas às manhãs, mas nunca admite que faz isso. Ele jura que não corre, mesmo Dolhp afirmando que o vê correndo todas as manhãs. Sem sentido? Talvez não. Nós escondemos muitas coisas normais que fazemos, de certa forma, de algum jeitinho. O sexo talvez seja uma dessas coisas, por exemplo. O fato é que esta situação do filme gera uma pequena reflexão enquanto você assiste. E o vizinho do Dolph é um dos que mais gera estas reflexões dentro da história. Talvez por isso a capa do filme seja o carro dele, andando pelo deserto.

Emma, é a atendente da pizzaria com quem Dolph conversa no início do filme, ela se apaixona por ele após a conversa no telefone e envia uma pizza com o seu número de telefone para Dolph, o jardineiro de Dolph (Victor) acaba recebendo esse bilhete e se passa por Dolph para transar com a garota, e consegue. A garota se apaixona por Victor (logicamente, pensando que ele era o Dolph) e resolve largar seu marido para viver com ele. Algum tempo depois ela aparece com suas malas na casa de Dolph procurando por ele, e encontra o verdadeiro Dolph, nesse momento imaginamos que ela vai descobrir a tudo querer matar Victor, mas não. Ela pensa que Dolph mudou de rosto! Seria um absurdo se fosse um filme normal, mas como não se trata, não precisa ir muito longe nos pensamentos para notar uma semelhança entre Emma e todas as mulheres do mundo, não é novidade que as mulheres vivem de amor, mas elas colocam o amor sempre na frente da lógica e acabam fazendo coisas absurdas. Minto?

Dolph vai para o trabalho algumas vezes no filme, mas acontece que ele foi mandado embora há 3 meses. Ele vai para o trabalho e finge trabalhar, pois seu computador nem liga. E isso me fez pensar muito também, o que o diretor tentou dizer com essa situação? Observando de um modo geral, vemos uma pessoa que perdeu algo, mas não aceita e continua vivendo aquilo, alias, fingindo que está vivendo aquilo, porque na verdade não está fazendo nada.

O filme passa a se tornar muito bacana quando se começa a assistir tentando entender, e viciante, eu mesmo já devo ter assistido umas 3 vezes, tendo uma semana que baixei, e se você, assim como eu, gosta de filmes diferentes, vale a pena conferir.

Por que surrealista?
O filme não contem uma linha lógica, diálogos e situações são infantilmente confusas, porém, criando no expectador uma reação filosófica sobre a mensagem.